Indiano que viaja o mundo plantando árvores visita o DF

Indiano que viaja o mundo plantando árvores visita o DF

Do Correio Brasiliense

O jornalista indiano Vishnudas Chapke, 34 anos, viaja há mais de um ano pelo mundo. O objetivo da peregrinação vai além da vontade de conhecer novas culturas. Vishnu, como gosta de ser chamado, planta uma árvore nas cidades onde passa, com mudas adquiridas em cada local. Até o momento, atravessou a Índia, passou por Miamar, Tailândia, Laos, Vietnã, China, Austrália, Chile, Argentina e, atualmente, está no Brasil. Esteve no Rio de Janeiro e, em 27 de abril, colocou os pés na capital federal, onde plantou uma muda na embaixada indiana.

A história dele, no entanto, começou muito antes deste ano de viagens. Vishnu conta que, em 2010, teve a oportunidade de entrevistar um comandante de navio chamado Dilip Donde, que lhe falou sobre uma viagem ao redor do mundo pelo mar. “Ouvi a história e pensei comigo: ‘Por que então eu não faço uma viagem dessas pela Terra?’ e, então, comecei a pesquisar trajetos. Infelizmente, vi que era muito difícil. Em 2011 desisti da ideia”, conta.

Mas, depois de ficar internado devido a uma pequena cirurgia, o jornalista começou a pensar sobre como ele estava aproveitando a vida e decidiu retomar os planos. “O problema é que eu tinha pouco dinheiro. Em uma conversa com um amigo, ele me sugeriu viajar pegando caronas. Achei uma ótima ideia. Avisei meus pais e fui”, lembra.

“Mas a viagem não era só por lazer, eu tinha esse objetivo de plantar uma muda de árvore por todos os locais onde eu passasse. É uma forma de conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e a importância do meio ambiente”, explica o jornalista. De acordo com ele, esse é o principal mal do século e precisa ser reparado.

Além do aumento de temperatura no planeta, que leva ao derretimento de calotas polares e à elevação do nível do mar, Vishnu foi influenciado pela situação de fazendeiros da região onde nasceu, Marathwada. Nas últimas duas décadas, ela tem sido severamente afetada pelas mudanças climáticas, causando grandes perdas à agricultura. Por isso, muitos agricultores cometem suicídio. Ele relata que viver essa realidade acabou sendo mais um incentivo para continuar a jornada pelo mundo.

Persistência

Inicialmente, ele atravessou a Índia, chegou a Miamar e então à Tailândia. Lá, percebeu que queria mesmo continuar a sua viagem pelo mundo. “Lembro que liguei para os meus pais quando estava lá, avisando que eu iria mesmo continuar e que passaria no mundo todo. Eles ficaram bem preocupados e pediram diversas vezes para que eu voltasse para casa”, admite.

Mesmo com o pedido dos pais, ele continuou em frente. Hoje, o plano é seguir a viagem pela América até chegar ao Canadá. Lá, ele pegará carona em um pequeno barco e atravessará o Oceano Atlântico para chegar à Europa. Seu próximo destino, depois de Brasília, será a Bolívia. Ele partirá amanhã.

Agora, segundo o viajante, o apoio dos pais se tornou incondicional. “Quando tive um problema com o visto na Austrália e liguei avisando que talvez voltasse para casa, eles me disseram: ‘Não ouse retornar sem terminar que eu quebro a sua perna’”, lembra, entre risos.
Rotina

“Para pegar uma carona, eu vou para a rodovia com uma placa e escrevo o local para onde quero ir. Aí, espero por alguém que me ajude”, detalha o viajante. Com relação a estadia, Vishnu acrescenta que coloca em seu perfil no Facebook o local e a data de quando chegará ao novo destino e seus amigos o indicam para pessoas conhecidas na cidade. Quando questionado se não sente medo de entrar em carros e casas com estranhos, afirma: “Não tenho medo de nada e isso me ajuda a não ficar preso e continuar pelo mundo”.

Ele completa dizendo também que não há porque temer. “De 400 dias de viagem até agora, só um foi ruim”, garante. Em uma das cidades, Vishnu fui assaltado e ameaçado pelo criminoso. “Mas, por sorte, pouco depois de o bandido levar as minhas coisas, um carro passou e eu pedi ajuda. Eles perseguiram o homem e ele desistiu, largando os objetos todos para trás e fugindo.”

A bagagem cultural e linguística que carregará de cada visita é dos pontos que mais o alegram. “Por todo local que eu passo, tento aprender, pelo menos, as palavras essenciais, como ‘obrigado’ e ‘bom dia’. As direções também, porque tem lugares, como a China, em que muita gente não fala inglês”, menciona.

Porém, para ele, a parte mais importante está sendo a influência que ele está deixando em cada cidade. “Eu não acho que estou fazendo a diferença sozinho só por plantar uma muda. A diferença que eu estou fazendo é ser um pontapé para que as pessoas vejam a iniciativa e comecem a pensar na importância de nos preocuparmos com o aquecimento global”, conclui. Vishnu ainda não tem uma previsão de voltar para casa e afirma que tentará percorrer o maior número possível de cidades para plantar não só uma muda de árvore, mas também uma semente de consciência ambiental na cabeça de cada um.

* Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

“A diferença que eu estou fazendo é ser um pontapé para que as pessoas vejam
a iniciativa e comecem a pensar na importância de nos preocuparmos com o aquecimento global”
Vishnudas Chapke

Caminhos

» Por onde passou
Índia, Miamar, Tailândia, Laos, Vietnã, China, Austrália, Chile, Argentina e Brasil.

» Por onde pretende passar
Bolívia, Peru, Colômbia, países da América Central, México, Canadá e países da Europa até retornar para a Índia.

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