Árvores tombadas do Rio ganham aplicativo

Árvores tombadas do Rio ganham aplicativo

D’O Dia

Rio – Nem só de casarões e construções históricas se resume o patrimônio cultural do Rio. Árvores centenárias também fazem parte do acervo. São baobás, palmeiras imperiais e figueiras espalhadas por toda a cidade e que, muitas vezes, passam despercebidas. Para despertar a curiosidade por tais espécies, a prefeitura reuniu parte da flora carioca na plataforma goo.gl/5Elskz. O objetivo é inibir o vandalismo e conscientizar as pessoas da importância desses bens — a iniciativa faz parte das ações comemorativas da semana do meio ambiente, que começa hoje.

A plataforma mostra, por exemplo, informações como a espécie, os nomes comum e científico, o tipo de proteção e a localização geográfica das árvores. Segundo o secretário Municipal de Conservação e Meio Ambiente, Rubens Teixeira, a ideia é ampliar esses dados. “Nossa intenção é aperfeiçoar o mecanismo para disponibilizar mais conteúdo sobre as espécies”, adianta Teixeira.

Além de trazer ao conhecimento público a existência dessas espécies preservadas, o engenheiro florestal, Luiz Octavio Pedreira ressalta que qualquer pessoa poderá também solicitar o tombamento ou a proteção de uma árvore. “A figueira da Rua Faro, no Jardim Botânico, foi tombada por iniciativa de associação de moradores”, lembra ele, que participou da construção da ferramenta.

A imunidade de corte é definida pelo antigo Código Florestal desde o Decreto Federal nº 23.793/1934 e também por sua recente substituição, a Lei Federal nº 12.651/2012, a Lei de Proteção da Vegetação Nativa. Ela estabelece, em seu artigo 70, inciso II, que o poder público federal, estadual ou municipal poderá declarar qualquer árvore imune de corte por motivos como localização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes.

Moradora de Copacabana há 50 anos, Silvia Vallim defende com unhas e dentes a permanência do assacu da Rua Pompeu Loureiro. De origem amazônica, a árvore quase foi retirada do local após denúncia de que estaria com risco de queda. “Minha família está no endereço há cinco gerações. Antes de construírem o prédio, o assacu fazia parte do jardim da casa, que o dono vendeu e doou para que fosse preservada. Para condenar uma árvore centenária dessa é preciso pelo menos um laudo científico que comprove tal necessidade”, argumenta Silvia Vallim.

O assacu de Copacabana é tão querido que há quatro anos, todo 3 de março, tem festa só para ele. É que em 2013, moradores e defensores do assacu conseguiram, por meio de uma liminar, que a árvore não fosse cortada. “Fizemos um movimento de abraço ao assacu, que ganhou até um samba”, lembra Silvia Vallim.

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