Plantar árvores salva vidas e é um dos melhores investimentos que uma cidade pode fazer

Plantar árvores salva vidas e é um dos melhores investimentos que uma cidade pode fazer

The Uniplanet

Segundo um relatório do qual foi coautor, uma campanha de arborização bem concebida pode contar-se entre os investimentos mais inteligentes que uma cidade quente e poluída pode fazer. Ao longo dos anos, dezenas de estudos têm revelado os benefícios do arvoredo para a saúde pública.

Sabia que as árvores podem salvar vidas?

Em primeiro lugar, elas filtram o ar e ajudam a remover as partículas finas emitidas pelos carros, centrais elétricas e fábricas, responsáveis por danificar os pulmões e causar a morte a cerca de 3,2 milhões de pessoas por ano. Embora o seu efeito varie de cidade para cidade, de um modo geral, as árvores melhoram a qualidade do ar.

Outro aspeto importante é o da temperatura. O arvoredo urbano consegue arrefecer os bairros entre 0,5˚C e 2˚C, nos dias de Verão mais quentes – um fator que pode ser vital durante vagas de calor. Estudos revelaram que cada grau adicional numa vaga de calor leva a um aumento de 3% ou mais na taxa de mortalidade.

De acordo com o relatório da Nature Conservancy, uma nova campanha para plantar árvores em grande escala nas 245 maiores cidades do mundo, custando aproximadamente 3 mil milhões de euros no total, poderia salvar entre 11 mil e 36 mil vidas por ano, graças a uma diminuição dos níveis de poluição. Entre 200 e 700 mortes causadas pelas ondas de calor também seriam evitadas, conta a Vox.

As vantagens não se ficam por aqui: como as árvores arrefecem os bairros, a sua presença pode resultar em poupanças de energia devido à diminuição do uso do ar condicionado. Para além do embelezamento visual, o arvoredo também retém a água da chuva, contribui para a valorização dos imóveis e para uma melhor saúde mental.

Os investigadores sugerem que, em média, uma campanha de arborização bem gerida é tão rentável, em traços gerais, quanto outras estratégias para reduzir a poluição, devendo ser usada em conjunto com estas e não em sua substituição.

No entanto, a arborização tem de ser bem planeada e gerida, atendendo a fatores como as características das espécies arbóreas (adaptação ao clima e solo, eficiência na redução da poluição), a localização e o espaçamento entre as árvores, os padrões do vento e a disponibilidade de água, etc.. Algumas cidades cometem o erro de não plantar um conjunto variado de espécies, o que pode levar a que as árvores sucumbam todas à mesma doença. Devem-se também evitar as árvores que aumentam os níveis de pólen no ar e as alergias.

O estudo revela que, das cidades analisadas na Europa, Lisboa seria a nona que mais beneficiaria com a plantação de árvores, relativamente à diminuição do calor urbano. A nível global, o retorno sobre o investimento na arborização é mais elevado em cidades densamente povoadas com níveis consideráveis de poluição atmosférica, como no México ou nos países do sudeste asiático. A seguinte tabela mostra as 10 cidades onde se verifica o maior retorno sobre o investimento, tanto a nível da redução da poluição como do calor.

Considerando todos os seus benefícios, o que é que está a impedir as cidades de investir mais na arborização? Em alguns casos, a escassez de água e de espaço. Os cientistas apontam ainda outras barreiras, como a manutenção do arvoredo. Depois de plantadas, as árvores têm de ser devidamente cuidadas – protegidas contra doenças, podadas, etc. –, o que requer pessoal qualificado e maiores investimentos. Rob McDonald realça ainda o facto de haver muitas cidades que não vêem o arvoredo como uma medida de saúde pública.

“A nossa ideia sobre o que as árvores podem trazer para as cidades tem mudado com o tempo”, disse o cientista. “Talvez seja altura de se repensar o seu papel mais uma vez.”

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